segunda-feira, 22 de agosto de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Desenrasca

O desenrascanço é uma característica única portuguesa, tanto é que o termo desenrascar ganhou uma votação há uns tempos para a palavra que mais falta fazia na língua inglesa.
Desenrascar é ao mesmo tempo uma característica útil e um factor de atraso. É também transversal a toda a sociedade portuguesa, todos se sabem desenrascar.
É útil para arranjar uma solução temporária para um problema imediato. Por exemplo, há pouco a minha mãe disse-me para por o sal na máquina da loiça. O que é certo é que ninguém sabe do funil da máquina, o que é uma chatice. Não faz mal, desenrasquei-me, pus o sal dentro de um jarro de sumo, pus-lhe a tampa e pelo buraquito de sair sumo também sai sal. Solução temporária para problema imediato. Se eu fosse alemão ainda estava a remexer nos armários...
No entanto o desenrascanço é um factor de atraso quando leva as pessoas a descurar o planeamento, ignorar manutenção (para quê comprar um cano novo, prende-se um pano à volta...). É um factor de atraso quando o imbecil de São Bento vem falar sobre onde não se vai cortar e, perante a pergunta "onde se vai buscar o dinheiro?" os indefectíveis do PS dizem "isso depois vê-se".

domingo, 27 de março de 2011

Pensar o futuro

Agora que vamos a eleições é tempo de pensar o que queremos para Portugal. Porque é que este país fica sempre para trás? Quando entrámos para a União Europeia, então CEE, fomos junto com a Espanha. Eles desenvolveram-se, até há poucos anos estavam a ter superavits o que, para quem não sabe, é o contrário de déficit. Por mais estranho que pareça a muitos portugueses é possível não ter déficit, mas adiante. Muito novo, para aí com 8 ou 9 anos lembro-me de nos telejornais passarem peças sobre temas socioeconómicos. Não percebia nem lhes ligava nada, mas uma frase lembro-me "Portugal está nos últimos lugares do ranking europeu, só á frente da Grécia".
Alguns anos passaram e a frase mudou. Passou a ser "Portugal está no último lugar atrás da Grécia". Bem sei que a Grécia agora está pelas horas da morte. Mas Portugal já foi ultrapassado em vários indicadores por países que entraram na união europeia nem há oito anos. Isto dá que pensar.
Dá que pensar a falta de rumo deste país. Vivemos completamente dependentes do estrangeiro. Já não me refiro apenas aos muitos milhões que emprestam para manter este estaminé aberto. Basta ir a qualquer supermercado e ver que cerca de metade da fruta e legumes são ou espanhóis ou franceses. Há uns tempos li que 25% da carne consumida em Portugal vem do estrangeiro. Cereais também uma grande parte. A nossa agricultura foi desmantelada. a indústria e as pescas também. Não produzimos quase nada e vivemos durante muitos anos dos milhões que choveram de Bruxelas.
Como é que se vai por um país endividado, que produz pouco e com muita gente preguiçosa a andar para a frente?
A primeira ideia veio da manifestação dos à rasca e da experiência de trabalho de um ex-colega do IST. A manifestação dos à rasca é interessante devido a algumas respostas dos intervenientes a uma questão simples, "Qual o seu curso?". Isto porque a história de que se tira um curso superior e depois se fica sem emprego é falaciosa. Havia ali gente de Direito, Relações Internacionais, Arquitectura, Sociologia, História, etc., tudo áreas que o mercado de trabalho está ou saturado, ou que manifestamente não precisa. Natural que fiquem sem emprego na área de estudos que escolheram. Aproveitando para falar do meu ex-colega, ele tem um curso profissional na área de electrónica. Por motivos que não interessam para o caso não estava a dar-se bem no curso e decidiu mudar de Universidade. Enquanto não faz os testes de admissão voltou para o anterior emprego onde foi recebido de braços abertos.
Porquê? Porque ter um curso superior é apenas e só meia dúzia de linhas num currículo. O que interessa é se o que se aprende lá tem utilidade. O que falta em Portugal é investir como deve de ser em ensino profissional sério. Depois de terminar o 3º ciclo do básico (que também deve ser reformulado porque gastam-se rios de dinheiro a formar ignorantes) o aluno tem hipótese de seguir estudos no secundário com vista a ir para a Universidade ou aprender uma profissão útil. Isto levaria a que a população fosse mais qualificada e preparada para criar riqueza. Por isso, no próximo Governo é urgente um Ministro da Educação com visão, capacidade de resistência a pressões e coragem para fazer frente à FNE, FENPROF e burocratas do eduquês da 5 de Outubro. É certo que isto é um desígnio de longo prazo, pois só daqui a pelo menos 10 anos se verão resultados, mas se não se começar nunca se conseguirá fazer o país arrancar.
Outra coisa urgente para que o país avance é reformular a Justiça. Pensemos num empresário de um país europeu civilizado, habituado a ter as disputas resolvidas em tribunal em poucos meses. se sonha que ao investir em Portugal pode estar anos a gastar dinheiro por causa de uma qualquer disputa com um cliente ou fornecedor vai por o seu dinheiro noutro lado. Não é só importante ter uma Justiça ágil nestes casos, é essencial que não se esteja anos em julgamentos, como o caso Casa Pia. Os cidadãos nunca terão respeito pela Justiça se virem que sempre que toca a poderosos (Caso Freeport, Fátima Felgueiras, Isaltino Morais, Avelino Ferreira Torres, Valentim Loureiro, etc.) ou as penas são leves e suspensas ou a montanha pare um rato, mesmo quando há escutas telefónicas e testemunhas.
O próximo Governo provavelmente vai andar a obedecer às ordens do FMI. Não vai ter dinheiro para TGV nem aeroporto, nem pontes. Mas pode fazer duas coisas que a longo prazo nos poderão impedir de voltar a cair num atoleiro como o que estamos agora. Por a Justiça e Educação a funcionar. Isso permitirá um país mais justo e competitivo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Morte às greves!

Ontem foi greve da CP, hoje do metro, amanhã CP outra vez e durante as próximas semanas repetem-se os dias sem trabalho, não só para aqueles preguiçosos de merda (que já não têm outro nome), mas, infelizmente, também para as pessoas que querem e PRECISAM de trabalhar.
Atenção que eu não tenho nada contra as greves. Tenho problemas sim, quando as greves afectam a vida das outras pessoas. O país está em crise, cada vez há mais desempregados e os "trabalhadores" que asseguram o transporte das pessoas fazem greves porque acham que recebem pouco por andar a coçar o esquerdo!
Por favor, tenham o mínimo de respeito pelas pessoas que vos pagam o salário! Façam greve, mas não nas horas de ponta e assegurem os serviços mínimos.
Eu pago passe e são 30 dias, não são 28 nem 27.
Se tivessem um serviço impecável ainda se compreendia, mas a incompetência dos transportes públicos em Portugal é gritante.
Só espero que chegue o dia em que um grupo de utentes apanhe um desses grevistas e lhe dê uma valente sova. Se não querem trabalhar têm bom remédio. O que não falta em Portugal são pessoas que não se importam do fazer por vocês.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Moção de Censura

Parece que o Bloco de Esquerda apresentou uma moção de censura. Bom para eles.
Dizem-me que há menos de duas semanas o Louçã disse algo do género não ser responsável fazer uma moção nesta altura. Não faz mal, a esquerda tem sempre razão e o mundo mudou numa semana. Está tudo bem.

Toda a gente vê o que se vai passar.
Por um lado, com uma declaração toda a favor dos trabalhadores e assim ,entala os comunistas que ou votam a favor ou ficam mal na fotografia.
Por outro lixam o PSD. Se votar a favor, o Pinóquio (Sócrates) pode dizer que é a instabilidade provocada pelo PSD. Se votam contra perdem legitimidade perante os milhares de pessoas que querem que o PS seja corrido a pontapé.

Esta moção obriga o PSD a pegar o touro pelos cornos e decidir se quer ganhar umas eleições ou esperar que o poder lhe caia, de podre, no colo.

Outra coisa que acharei interessante ver é a reacção de parte do eleitorado de esquerda perante a possibilidade de PSD ganhar. Irão votar PS entendendo que é o mal menor? Se sim o Bloco de Esquerda terá dado um gigantesco tiro no pé. Espero que sangre até à morte.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Eleições

Vou votar no José Manuel Coelho.
A democracia portuguesa (nem merece o d maiúsculo) caiu num descrédito tal que o Coelho já parece boa opção. Aposto numa votação a rondar os 2% para ele.
A meu ver a eleição terá 5 motivos de interesse:
  1. se haverá 2ª volta;
  2. se o Fernando Nobre ultrapassa o Manuel Alegre;
  3. qual o tamanho da tareia que leva o «camarada» Chico Lopes;
  4. se o Coelho tem mais de 2%;
  5. se a abstenção ganha de novo com mais de 50%;
Tenho a certeza que se algum dos "Gato Fedorento" se candidatasse arrecadava 15% ou mais.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Parabéns a FIFA

Não me ouvirão muitas vezes dizer bem de uma organização prepotente, à margem do Direito (não permite, sob pena de exclusão de competições que os clubes recorram a tribunais civis) e completamente antiquada (recusando meios electrónicos que diminuiriam as situações pouco claras em golos que entram ou não). A FIFA pode ser muita coisa, governada por um bando de caquéticos e tudo o mais. Mas hoje ajudou Portugal a não se afundar ainda mais. Os Russos que estoirem o dinheiro, nós temos problemas mais urgentes do que um Mundial de Futebol.
Aos senhores da FIFA um muito obrigado.