Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Louçã vs. Sócrates

O debate de ontem entre os líderes do PS e do BE foi interessante. Era apontado como sendo um dos mais dificeis para Sócrates, mas parece-me que até nem se safou mal. Pareceu-me que Louçã teve alguma vantagem, mas foi como se o Benfica ganhasse 1-0 ao Cascalheira de Cima. Venca, mas com uma vantagem tão pequena que é quase como se perdesse.
Este era um dos debates que decide quem será o próximo Primeiro-Ministro. Parece-me que Sócrates não vai perder assim tanto para a sua esquerda como perderia se tivesse sido esmagado ontem. Resta agora saber quanto perderá para a direita no debate com Manuela Ferreira Leite.
Do debate ficam a reter alguns pontos. O primeiro é que quem disse que Sócrates é bom em debates ou estava muito bêbedo ou muito enganado. Se é triste vê-lo no Parlamento ainda mais triste foi vê-lo ontem. Agarra-se a questões mínimas e sobre o que é importante nada diz. Não soube dar uma resposta credível sobre a privatização da GALP. Disse que foi feita da forma que fez para evitar que caísse em mãos estrangeiras. O Presidente de Angola não me parece que seja português, e nada impede que quem comprou venda a sua parte a estrangeiros. Entretanto o Estado vendeu uma empresa que dava lucro. Aqui, embora me custe tenho que dar razão a Louçã.
Uma coisa que gostaria de ver bem esclarecida é como é que o Bloco de Esquerda quer tratar a questão de acabar com os benefícios fiscais na saúde e na educação. Louçã disse que se esses serviços forem de qualidade e gratuitos no sector público não havia razões para que os benefícios se mantivessem. Se Sócrates tivesse sido inteligente tinha perguntado não sobre os 610 milhões que a classe média iria perder (por não poder deduzir), mas quais as ideias de Louçã para tornar esses serviços públicos gratuitos e de qualidade.
Finalmente fiquei com uma dúvida. Será que Sócrates quer perder as eleições? É que perto do final do debate, quando Judite de Sousa disse que faltavam menos de 5 minutos, o líder do PS perguntou se ainda havia tempo para falar de política externa. Mas será que quem tem amigos como estes quer falar de política externa?

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