Parece que entretanto o António Feio e o Mário Betencourt Resendes faleceram. Independentemente de gostar ou não destas duas personagens da sociedade portuguesa, aqui fica o meu pesar pela perda destes dois homens, apesar de não ser muito apreciador quer da comédia do grande Feio nem do jornalismo do segundo.
Mas parece que não foram só estes dois homens que morreram. Parece que tudo morreu. A inteligência e sentido crítico das pessoas em relação à vida pública morreu e agora deu lugar a esse grande e tão característico estado de letargia portuguesa.
Hoje, e talvez desde que comecei as minhas férias, repousei no meu próprio estado melancólico-filosófico e desde então dedico-me a observar as gentes desta praia esquecida à beira-mar que é o meu Portugal.
A primeira conclusão que retiro das minhas observações é que as pessoas são ingratas. Ingratas para com aquilo que é seu, o Estado. O Estado pertence-nos a cada um de nós, mas todos os dias observo, de qualquer lado político, mesmo os das esquerdas, o lancetar daquilo que é realmente nosso e que demorou séculos de inteligência, intelectualidade, boa vontade, e profunda reflexão, a criar.
Mas ao fim ao cabo as pessoas desprezam o Estado. Tudo porque não suportam ver aquilo que é de todos meter-se na vida privada de cada um. Mas esses que desprezam o Estado, esquecem-se que são o todo, o Estado, ou melhor esse grande e inimigo dos gentios portugueses, que permite ao mais insignificante indivíduo a sua liberdade.
Falar sobre o Estado e o bem público é demasiado caro. Reformas no Estado são necessárias? Sim, com certeza que serão. Mas para quê? Quem beneficiará com as suas reformas. O estado proporcionará a todos mais justiça, mais igualdade, mais acesso às pessoas que infortunadamente nasceram, como eu, numa família que não teve possibilidades de me poder proporcionar uma educação como as pessoas mais ricas? O debate não se deve centrar no desaparecimento ou não do Estado, mas no que queremos que o Todo seja para cada um de nós.
Mas tudo isto é demasiado caro. Entretanto vou vendo televisão e comentadores a dizer que o fisco não conseguiu tributar este ano 55 000 milhões de euros.
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